segunda-feira, 6 de agosto de 2018

LIVRO: A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NO PENTECOSTALISMO BRASILEIRO.


O Livro: “A História da Educação Teológica no Pentecostalismo Brasileiro”, de autoria do teólogo e professor Orlando Martins, revisita a história dos embates entre as lideranças nas questões da instrução teológica nas ADs.

Para alguns, essa problemática pode estar superada, mas Orlando destaca que, mesmo com a abertura das ADs ao conhecimento teológico formal, ainda "dentro de seus arraias eclesiásticos" há resistências, "principalmente por aqueles que advogam mais a favor da importância da Experiência Religiosa do que a favor da Educação Teológica"  afirma o escritor.

Para embasar suas considerações, Martins fez amplo levantamento documental e bibliográfico, os quais "comprovam o conflito que houve entre a missão sueca, contrária a fundação de institutos bíblicos  e a missão americana, que apoiava a fundação destes institutos".

Embates que duraram décadas, mas ainda não superados, pois eles aparecem nas escolhas e práticas dos obreiros assembleianos na atualidade. Martins destaca na dissertação uma entrevista do pastor e teólogo Antônio Gilberto de saudosa memória, e que foi por muito anos o consultor doutrinário da CPAD, onde ele reclama da falta de apoio, disposição e patrocínio dos líderes aos ensinadores pentecostais.

Partindo de um respeitado mestre assembleiano, Orlando afirma que o "relato do pastor Antônio Gilberto retrata a falta de incentivo à Educação Cristã". Não só isso. Fica em evidência nas ordenações ao ministério a preferência ao preletor que "se destaca mais por envolver a Igreja com sua oratória, do que por apresentar um sermão com profundidade bíblica,  o que para muitos, "dá sono", ou seja, não gera espiritualidade."

A realidade, segundo o estudioso, é que "apesar de hoje haver um grande incentivo para que os obreiros estudem Teologia, e de ser um dos pré-requisitos para a ordenação de um obreiro, ainda falta muito apoio não somente dos pastores, mas da comunidade de modo geral."
O trabalho acadêmico do escritor e jornalista Orlando Martins, só comprova o quanto as chamadas "temporalidades históricas" estão presentes nas ADs. Ou seja, em pleno século XXI, com tantas transformações estéticas e tecnológicas dentro da denominação, a antiga mentalidade sobre o estudo teológico ainda resiste. É a herança sueca, o legado que ainda persiste.

Texto adaptado e de  autoria de Mário Sérgio Santana.

Livro: A História da Educação Teológica no Pentecostalismo Brasileiro
Editora: Reflexão
Autor: Pr. Orlando Martins
Teólogo, jornalista, professor e atualmente está doutorando em Sociologia em Portugal.
Onde encontrar: Nas melhores livrarias evangélicas do Brasil ou no site da editora Reflexão
Contatos com o autor para palestras sobre o tema ou para adquirir a obra.
Brasil: (48)984495200 – WhatsApp
Portugal: 351 935 584 315

sexta-feira, 30 de março de 2018

CRISTO – A NOSSA PÁSCOA

CRISTO – A NOSSA PÁSCOA

Vivemos num tempo, que muitos se esquecem do verdadeiro sentido do Páscoa, contudo, deveriam rever os seus valores, pois muito mais do que apelo comercial, a Páscoa é alegria, sendo que neste momento, relembramos que entre os judeus, esta data assume um significado muito importante, pois marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C, onde foram aprisionados pelos faraós durantes vários anos, ou seja, foi à libertação do julgo do Egito. Portanto como cristãos devemos lembrar da ultima semana de Cristo, Jamais houve ou haverá semana como aquela em que sobre Jesus Cristo recaíram a maior e absoluta injustiça, pois por meio de seu sacrifício fomos livres de toda a condenação e pecado: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.(Rm 8:1)” “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (I Jo 1:7)” A Páscoa é a festa espiritual onde o cristão reconhece a sua eterna e incondicional dependência e gratidão a Cristo, pelo livramento da cruz devidamente merecida. Portanto, a Páscoa é a festa da salvação. Jesus Cristo, aquele que veio trazer paz, esperança e alegria para a humanidade. Contudo, muitos, nem por um minuto do dia lembram-se de sua mensagem e paradoxalmente lembram mais da Páscoa comercial do que da Páscoa espiritual. Na verdade, a nossa Páscoa é comemorada de forma diferente, pois apesar de estarmos no mundo, não somos deste mundo e mesmo que saibamos que Páscoa é época de chocolates e presentes, festa e comemoração, para nós a Páscoa é muito mais do que isso. Entre os judeus na celebração da Páscoa, a família reúne-se e come o cordeiro pascal (cf. Ex 12,1-28), recordando o dia da libertação do povo, escravo no Egito. Na cruz se revela o grande AMOR de Deus que entregou o seu filho para que possamos ser salvos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.( Jo 3:16-17) ‘’ A Cada culto que reunimos como seguidor de Jesus para nos recordarmos da Sua entrega a nosso favor, mas, sobretudo para vivermos hoje no DOM que nos é oferecido, a vida nova no Espírito. Mais do que iguarias, festas em família, chocolates e comemorações, este dia só tem sentido quando o celebramos tendo JESUS CRISTO como o nosso Senhor e Salvador. Conquanto que a mensagem de fé e esperança continua muito atual, pois JESUS CRISTO é o verdadeiro sentido de nossa PASCOA: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

TESTEMUNHO DA LARISSA!

Estamos muito felizes, ontem dia 22 de novembro foi o aniversário de nossa filha Larissa, e para a glória de Deus, leia o seu testemunho!

Atualmente as pessoas não creem mais em milagres, contudo, a palavra de Deus cita muitas passagens sobre curas e milagres. Eu e minha família podemos testemunhar desse poder maravilhoso, como no testemunho de cura de nossa filha Larissa Eduarda de Oliveira Martins, que no dia 22 de novembro completa dez anos de idade. Minha esposa Cleusa teve uma gestação saudável, contudo Larissa nasceu prematura de oito meses e quando veio ao mundo, ela não estava respirando direito e muito roxinha o que nos deixou preocupados e apreensivos. Naquele instante ela fora levada diretamente para a UTI, sendo entubada com respiradores e nesse momento começou a nossa luta. Após vários exames, fora constatado que Larissa estava com uma doença chamada Listeria, uma bactéria terrível, que de cada dez bebês que são acometidos com essa enfermidade, apenas cinco sobrevivem. Sob a ótica humana, a pequena Larissa estava em desvantagem, pois nasceu prematura, entretanto, sob a ótica divina, ela estava com grande vantagem, pois o poder de Deus estava sobre a sua vida, e a boa mão do Senhor fora com ela em todos os momentos naquele hospital. Foram 31 dias, que ela esteve internada, momentos de muito sofrimento e dor, parecia que era uma eternidade, mas, contudo, nunca desistimos, cantávamos em seu ouvidinho músicas cristãs infantis como: “Sou uma florzinha de Jesus”. Em todos os momentos, oravamos e criamos no milagre, pois fé é crer no impossível, sendo que quando os médicos botam um ponto final, Deus põe uma vírgula, pois a última palavra vem do Senhor que fez os céus e a terra. Toda a honra e toda a glória sejam dadas ao Senhor por esse tão grande milagre! Gostaria também de agradecer o apoio e as orações de meus pastores Junior Batista e Victória, meus pais, irmãos, família, amigos, pastores e demais irmãos da AD Mais de Cristo, e de outras denominações que oraram por ela. Hoje passados dez anos, a Larissa é uma criança saudável, feliz e perfeita. 
Obrigado Senhor, por ter nos presentado com a Larissa!

"Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão". ( Salmos 127:3 ).

Orlando e Cleusa!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

UM PENSAR SOBRE A VOLTA DE JESUS!


Vivemos os últimos tempos e cada vez mais os sinais do arrebatamento são claros, fazendo com que cada cristão reflita o seu papel na sociedade, sendo que o nosso grande objetivo é estabelecer os valores do Reino de Deus entre os homens (Rm 14: 17). Entretanto muitos não creem no arrebatamento, outros acham que o Apocalipse é um livro mitológico ou histórico, sem nenhum tipo de aplicação para o tempo presente. Ledo engano, vivemos sim o final dos tempos, contudo devemos evitar os extremos, fugindo de dois polos.

1) Fanatismo: Nos tempos da Igreja primitiva, os membros da Igreja de Tessalônica iam para o teto de suas casas vestidos de branco próximo da meia noite, esperar Jesus voltar, outros na mesma localidade não queriam mais nem trabalhar. Recentemente no século passado, alguns pastores desencorajavam seus membros a estudarem, pois a qualquer momento Jesus ia voltar, já outros demonizavam tudo, e sem nenhum tipo de cuidado bíblico, ficavam apontando tudo como a marca da besta ou o sinal dos últimos dias. Em um passado recente, alguns afirmavam que o código de barras era a marca da besta, já alguns pregadores exageravam nesse tipo de exposição, ensinando que “ Ao mil chegará, mas ao dois mil não passara”. Esse ditado, muito popular no século passado não esta escrito na Bíblia, mais era defendido com unhas e dentes como ensino bíblico.





2) Descrença: Infelizmente, muitos não creem no arrebatamento da Igreja, alegando que tal ensinamento não passa de mito e fabula, já outros cristãos até acreditam, mas creem que esse acontecimento vão demorar muito, ou seja, vivem despreocupados com a volta de Jesus. Como cristãos devemos rejeitar tanto o fanatismo como a indiferença, mas, devemos pautar nossa vida pela doutrina bíblica e assim procurar crescer na verdade, pois os fundamentos da palavra são inabaláveis: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”. O Ensino sobre o Arrebatamento, além de confrontador, é muito atual, pois realmente um dia Cristo voltará e cabe a cada um de nós sermos vigilantes: “Vigiai e orai” (Mt 26:41). Como cristãos devemos estudar cada vez mais a palavra, pois nela descobrimos muitas verdades bíblicas, sendo que um dia Cristo voltará, Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Orlando Martins 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Qual a relação do pensamento pedagógico de Comenius com a Educação Cristã?

Orlando Eduardo Capellão Martins

               
          Inicio este texto, analisando a importância do pensamento de Comenius para a humanidade, e em especial para o mundo cristão, já que, ele além de pedagogo, era cristão e bispo moraviano, e que afirmava insistentemente que a “educação”, é a cura para a corrupção, portanto, neste aspecto, encontramos muita similaridade do pensamento dele com a Educação Cristã.
Portanto fica evidente a relação existente entre o pensamento pedagógico de Comenius e a Educação Cristã, já que, o pensamento deste pedagogo é legitimado por meio da práxis cristãs, ou seja o pensamento pedagógico de Comenius apontava para o pensamento prático, visto que Comenius (2006, p. 29) compreendia a educação como um meio que poderia gerar mudança na sociedade, seguido o seguinte tripé ensino,  moral e piedade, logo, o objetivo era a formação de princípios que promovam mudança de vida e redefinição de valores.
Contudo, analisando a extensa biografia de Comenius vemos que ele foi o criador da Didática Moderna e um dos maiores educadores do século XVII e podemos observar de modo bastante claro, a influência do pensamento deste teórico sobre a Educação Cristã, pois como matéria prática, a Educação Cristã é devedora do pensamento pedagógico de Comenius, já que, este método não contempla apenas a razão, mas, também a piedade.
Porfim, Comenius valorizava a importância da Bíblia e a promoção dos valores, visto que para  ele, a escritura deve ser a base de uma sociedade equilibrada como afirmou: “Tudo o que for ensinado aos jovens cristãos depois das Escrituras, ou seja, o ensino das ciências, das artes e das línguas, deverá ser subordinado às Escrituras, de tal modo que eles possam notar tudo ao seu redor e ver claramente que todas as coisas serão mera vaidade se não se referirem a Deus e a vida futura (COMENIUS, 2006, p. 281). 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

RESUMO DO CAPÍTULO SOBRE ORAÇÃO DO LIVRO: NOSSA FÉ DE EMIL BRUNNER

           

Nesta obra singular, Emil Brunner inicia com a seguinte reflexão: “Se olharmos ao mundo, morre a oração” (Brunner, 1996,p. 91). Portanto, orar não é outra coisa do que praticar a fé e como cristão devemos seguir o sábio conselho de Emil Brunner e olhar mais para o céu e menos para a temporalidade da vida, que infelizmente, rouba o nosso tempo com Deus, por isso precisamos nos refugiar na oração, que é a fonte de ânimo e esperança (Brunner, 1996,p. 93)
       Portanto, por meio desta obra singular, podemos entender os caminhos da oração, pois orar é um genuíno exercício de espiritualidade, onde a cada dia nos esvaziamos de nós mesmos, pois como afirma Brunner: “Orar é a coisa mais humilde e a coisa mais ousada que uma pessoa pode fazer” (Brunner,1966, p. 94). Deste modo, podemos vencer nossas preocupações, por isso orar é mais difícil do que trabalhar (Brunner,1966, p. 96), pois quando oramos aprendermos a entregar nossa vida nas mãos do Senhor. Brunner nos leva a uma importante reflexão quando lança mão da seguinte pergunta: “Será que um homem dos tempos modernos ainda pode orar? ” (Brunner,1966, p. 93).

     Porfim, esta obra revisita e ressignifica práticas que mesmo esquecidas, fazem parte do cristianismo, assim com a oração que nos conduz diariamente para mais perto do Senhor, portanto, este livro é uma obra clássica e singular sobre oração e vida com Deus. 

Orlando Martins 

domingo, 25 de junho de 2017

O CRISTIANISMO DA IGREJA PRIMITIVA E A ANÁLISE EXEGÉTICA DE ATOS 2:42

Por Orlando Martins 

A comunidade nascente no dia de Pentecostes é um modelo de Igreja que vivia dentro da unidade do Espírito: Esta Igreja era formada pelos discípulos, apóstolos, alguns dos espectadores que faziam parte dos 500 que testemunharam à ressurreição de Cristo e os 3000 que se converteram no sermão de Pedro. Os membros desta comunidade se reuniam aos domingos, o dia do Senhor. Neste dia havia dois tipos de cultos a Reunião matutina que era uma ocasião de louvor, oração e pregação e a reunião vespertina: onde havia o culto de expressão ágape, ou seja, o culto de ceia, onde os discípulos se reuniam para lembrar do sacrifício de Cristo através do sacramento da Santa Ceia do Senhor.
                  Esta comunidade era marcada pela Koinonia (Gr:comunhão) e seu membros  verdadeiramente se comportavam  como o corpo de Cristo na Terra (Ef 1.22 e 23)estando firmes nos fundamentos da fé  (Ef 2.20), ou seja, na Doutrina dos apóstolos, Comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2:42). “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se havia, de salvar” (At 2:47).        Para que venhamos a experimentar a realidade de uma comunidade diaconal urge que venhamos a guardar estes fundamentos, pois não obstante são eles o caminho do serviço tanto a Deus (Liturgia) como ao próximo (Diaconia).

      Analise exegética de  AT 2:42

Esta comunidade era marcada pela Koinonia que em português significa Comunhão. Verdadeiramente esta Igreja se comportava como o corpo de Cristo na Terra (Ef 1.22 e 23), estando firmes nos fundamentos da fé: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular, no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor (Ef 2.20,21). Nesta Igreja havia perseverança em quatro grandes fundamentos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão,no partir do pão e nas orações (At 2.42)”. O modus vivendi desta igreja pode ser analisado no Didaque que é o catecismo dos primeiros cristãos.O Didaque foi escrito no fim do I Século e retrata o modo de pensar da igreja apostólica, sendo um convite para as igrejas atuais descobrirem sua origem e, sobretudo o viver de acordo com a vontade de Deus que segundo este manual o viver é amar e constitui-se em dois caminhos: 1 “O Caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a Deus, que criou você. Em segundo lugar, ame a seu próximo como a si mesmo. “Não faça a outro nada daquilo que você não quer que façam a você”. Esta é à base do sublime  ensino apostólico: 2“Que a sua palavra não seja falsa ou vazia, mas se comprove na prática”

NESTA IGREJA HAVIA PERSEVERANÇA NA DOUTRINA

Os crentes da Igreja primitiva sabiam ser a doutrina apostólica importante e a aplicavam no culto matinal, após o período de oração e louvor. O povo judeu por natureza é um povo que ama o ensino da palavra, sendo que dentro da cultura judaica uma criança aos seis anos de idade deveria ter decorado todo o livro de Levi tico para entender as leis cerimoniais e aos doze anos conhecer todo o Pentateuco, para que possa ser versado em todo o tipo de lei.
Os crentes primitivos herdaram do judaísmo o amor pelo estudo e assim perseveravam nos ensinamentos transmitidos pelos Apóstolos sabendo que através da palavra eles verdadeiramente seriam discípulos de Cristo. Discípulo significa seguidor e devemos ter como modelo sempre à pessoa de Cristo através da palavra. Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam criado nele.“Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (Jo 8.31), retendo a palavra no coração ( Jo 15.6), sendo limpos (Jo 15.3), para que possamos permanecer no seu amor ( Jo 15.10 ). Com isto iremos produzir obter  um bom conhecimento da lei o que irá resultar em bom testemunho: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva”. (Is 8.20). Paradoxalmente hoje vivemos o tempo do cristianismo fast-food, das coisas rápidas, dos efeitos dinamites:Onde não existe espaço para o pensar e para a reflexão.  Acerta um  pensador,  quando faz uma correlação entre o cristianismo epidérmico dos dias hodiernos e a coca cola que apenas nos transmite um prazer momentâneo mais traz males para a saúde.
 Muitos com boa intenção desejam verdadeiramente obter o poder de Deus, mas como não possuem uma base sólida na palavra acabam por confundir avivamento com movimento. O avivamento autentico só é possível mediante a busca pelos fundamentos, como bem respondeu o Senhor Jesus aos saduceus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29).Este grupo do oba oba acaba criando a sua própria linguagem e se distancia da sistematização das escrituras, conforme se vê hoje nas igrejas as frases de efeito que são à base de uma cartilha de um grupo que detém a sua própria Teologia a informalidade: “É mistério, Veja o varão de branco! To vendo anjos voando aqui! Queima ele Jeová!” Estes jargões são típicos de pessoa que buscam apenas o poder e não a palavra que é a verdadeira fonte deste poder, o que acaba por culminar numa espiritualidade exibicionista e epidérmica onde não somos medidos pelo que somos ou fazemos, mas pelo poder que possuímos. Os proponentes deste pensamento defendem que para o crente ter uma vida avivada, basta ele dobrar o joelho e orar, esquecendo-se que a espiritualidade do homem é medida pela disciplina e não pelos sacrifícios. A Religião não deve desunir, mas sim trazer união e comunhão no Espírito. Quando a busca por sinais e maravilhas não vir acompanhada por piedade e santificação, esta irá ser a base para um cristianismo epidérmico, sem vida e árido, onde irá imperar a Religião de Poder aquela que oferece pouca qualidade bíblica, pois lhe falta credibilidade perante a sociedade. Acerta um teólogo quando afirma  – “De 1517 até os anos 30 Jesus Cristo era considerado pelos homens como o grande rei em que todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento nele se encontram. Já dos anos 30 até os dias atuais os profetas da prosperidade consideram Jesus Cristo como o grande mágico em que em sua cartola estão escondidos todos os tesouros da riqueza e da prosperidade”.Sobre estes pensamentos convêm os leitores lerem os seguintes livros: “A crise de ser e de ter e a  Celebração da disciplina do escritor norte americano Richard Foster”.
   

A Teologia informal

A Teologia informal faz parte de uma crença não refletida, tendo apoio mais em experiências isoladas do que na sistematização da doutrina. Geralmente este grupo pensa ser pecado estudar, mais se esquecem que o estudo é uma recomendação, pois encontra amparo bíblico, como em João 5:39, podemos encontrar a palavra “Examinai”, ou seja,estude os detalhes, para que bem conheçam o que é certo e cresçam em Deus (Js 1.8 e Ap 3.13). Os que defendem a Teologia informal [OM1] pecam ao confundirem  espiritualidade com misticismo e simplicidade com  ignorância cultural. Por falta de conhecimento Bíblicos alguns destes afirmam  que a letra mata, mas por não lerem todo o contexto confundem  a letra da lei judaica que era o talmude ou os 613 preceitos da constituição de Israel com a palavra de Deus. É simples de se entender basta ler todo o contexto: “O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecesse, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior porção será glorioso o ministério da justiça” (II Co 3.6-9). Neste contexto não se observa  nenhuma alusão ao cânon fechado, pois a  Bíblia, não  tinha sido totalmente formada. Paulo nesta passagem estava se referindo ao modo de interpretação da lei promovida pelos lideres do judaísmo que com preceitos judaicos sem vida só condenavam e apontavam sem nenhuma misericórdia. Ao contrario do ministério do Espírito (Dispensaçao da graça) onde a salvação esta disposta a todos. Basta observar que a espada do Espírito é a palavra (Ef 6.17), que deve ser examinada porque nela se encontram as palavras da vida eterna e são elas que de mim (Jesus) testificam (Jo 5.39). A missão do Espírito Santo na terra é convencer o homem do pecado, da justiça, e do juízo, ensinando apenas as palavras de Jesus, pois o ministério do Espírito é lembrar de tudo aquilo que lemos na palavra e vivifica-la em nossas mentes.
     
A Letra da lei e o ministério do Espírito

Apêndice: Se a letra matasse, não haveria tanta reverência com a palavra como houve por parte dos homens de Deus ao longo da narrativa bíblica.
Moisés ordenou que os Sacerdotes e os levitas lessem à lei de sete em sete anos perante o povo (Dt 31.9-11) e para que estes não se esquecessem da lei do Senhor e assim viessem a andar retamente: “Ajunta o povo, homens e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam, e temam ao Senhor, vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta lei” (Dt 31.12). “Esdras o escriba preparava o seu coração diariamente para buscar lei do Senhor (Ed 7.10), sendo ele um “escriba “ mestre”,  leu a lei diante do povo (Nee 8:1-12), após o retorno do cativeiro  babilônico de setenta anos e com isto  o povo judeu foi  avivado pela palavra: “E Neemias, e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este é o dia consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei” (Neemias 8;9). Era um avivamento gerado pelo arrependimento do povo mediante um ensino poderoso da lei. No contexto neotestamentário o apóstolo Paulo orientou que  Timóteo seu filho na fé, Procurasse se apresentar como obreiro aprovado (II Tm 2.15) manejando bem a palavra que no grego significa corte reto. Cortando sem erros, para que se afastasse de todo o tipo de heresia e deste caminho não se apartasse.
             E você meu irmão tem procurado ter uma vida aprovada dentro dos parâmetros Bíblicos? Ou tem vivido uma vida sem propósitos. Segundo uma pesquisa do Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), 90% dos evangélicos brasileiros não lêem a Bíblia diariamente. Lembre-se o segredo da verdadeira prosperidade espiritual é meditar na palavra (Js 1.8). A meditação na palavra conduz a verdadeira sabedoria, gera temor e respeito pelas coisas sagradas, tornando o homem mais maduro para responder e dar razão de sua fé a qualquer um que a pedir: “e estai preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe 3.15).

NESTA IGREJA HAVIA PERSEVERANÇA NA COMUNHÃO

Uma Igreja onde os crentes são fundamentados desenvolve-se  naturalmente o fruto do Espírito, o que irá gerar  amor nesta comunidade: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou o sino que tine”.(I Co 13.1). Este amor no original grego significa agapao ou ágape que é um fruto ou conseqüência do amor. Na igreja primitiva havia comunhão, os cristãos viviam verdadeiramente o amor ágape. Um provérbio japonês assim nos ensina. “Devemos ser construtores de pontes que nem os japoneses e não ficarmos em muralhas que nem os chineses”. Numa comunidade de fé  onde a graça de Cristo superabunda o Espírito tem liberdade para agir nos corações gerando assim à comunhão (II Co 13.13).

     A verdadeira obra do Espírito

A verdadeira liberdade do Espírito não esta nas manifestações exteriores, mas nas interiores que envolvem a área do caráter, ética e amor ao próximo. Quando o Espírito Santo tem liberdade em nossas vidas, ele nos torna crentes mais piedosos o que irá conduzir-nos a um relacionamento interpessoal mais intenso, norteando nossas ações durante o dia a dia, para que como servos de Deus possamos manter o vinculo da paz através do amor (Hb 12.14, At 2.44 e At 2.45) Esta Comunhão só é possível quando verdadeiramente passamos a amar o nosso próximo. Sobre isto bem definiu numa reflexão muito profundo o pastor e pensador pentecostal Paulo César Lima: “Meu próximo não é aquele que eu encontro pelos caminhos da vida, mas aquele em cujos caminhos eu me coloco”. Havendo comunhão na Igreja o amor de Deus é verdadeiramente expressado entre os membros através do Ágape que no original grego significa amor divino, aquele que emana de Deus para o homem, gerando uma verdadeira koinonia: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum” (At 2.44) e não apenas um ritual religioso, como observamos hoje em alguns  templos, cristãos  que vem a Igreja apenas para cumprir um ritual ou tradição, perdendo assim todo o encanto pela obra e pelo próximo. A espiritualidade genuína aproxima e não divide, fazendo com quê o homem entenda que a mesmo amor que o leva a estender a  mão para adorar a Deus, deve ser o mesmo amor que leva a estender o braço para ajudar ao próximo.

COMO CONSEQUÊNCIA HAVIA PERSEVERANÇA NO PARTIR DO PÃO

            No culto de expressão ágape ou de Santa Ceia, havia o momento do  partir do pão como um ato de lembrança  do sacrifício de Jesus Cristo na Cruz do calvário: “Semelhantemente também depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (I Co 11.24). Partiam o pão como uma conseqüência da comunhão, havendo assim a verdadeira expressão do amor ágape que é expresso  em sua máxima dimensão, quando o ser humano passa a viver uma espiritualidade autêntica, que eleva o braço para adorar a Deus e  estende a mão para ajudar o próximo. O verdadeiro partir do pão significa a pratica da  comuna, sendo que o lema deles era a divisão em partes iguais de tudo o que era obtido: “E perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (At 2.46).

A Comunhão era um dos pilares da igreja primitiva

            A comunhão era um dos principais pilares para o crescimento da Igreja durante o período apostólico, havendo uma benevolência espontânea e voluntária como resultado da verdadeira compreensão da dimensão do amor de Deus. Esta comunhão era expressa não apenas em palavra, mas em atitudes, com a do apóstolo Paulo que levantou um projeto de coleta de ofertas nas igrejas da Ásia em favor das igrejas pobres da Judéia em especial a de Jerusalém (I Co 16:1-4).  Deve o cristão hoje buscar viver uma vida de generosidade e disciplina para que com isso possa ter um coração mais voltado para o próximo o que irá gerar comunhão no Espírito.

HAVIA PERSEVERANÇA NAS ORAÇÕES
Etimologicamente falando oração significa  “conversa ou discurso”          Quando eu oro eu falo com Deus e quando eu leio a Bíblia Deus fala comigo. Você tem falado com Deus através da oração? Não podemos ter intimidade com quem não nos relacionamos.O Povo judeu por tradição orava três vezes ao dia: Na hora terceira que corresponde às nove horas da manhã, na hora sexta que corresponde ao  meio dia e na hora nona que corresponde às três horas da tarde. Os povos da Igreja primitiva além de cumprir este ritual no templo, oravam  em outros períodos para que o Senhor derramasse suas bênçãos.  Podemos tomar como exemplo o período de dez dias de oração para a descida do  Espírito no dia de Pentecostes: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e suplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1.14).                                                  A oração persistente é  um destaque na igreja primitiva, sendo esta oração uma resposta ao mandamento de Jesus de esperar em Jerusalém, pela descida do Espírito Santo.  Deus nos responde quando oramos com propósito (II Cro 6.36-39 e Dn 7.10); mas precisamos saber entender tanto o sim como o não de Deus.
Deve o cristão orar em espírito e em entendimento
Muitos cristãos hoje, por falta de entendimento oram de qualquer maneira. Deve o cristão buscar orar corretamente, sempre aprendendo esta premissa pela palavra de Deus: “Senhor ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos”(Lc 11.1).Folhando a palavra podemos encontra aproximadamente 650 modelos de oração. Dentre todas estas a maior já pronunciada é a oração intercessória de Jesus. Ela é a maior, por que quem a proferiu foi o Senhor Jesus e ela é grande por causa da circunstancia em que foi proferida (Jô 17). Esta oração numa leitura tem duração de seis minutos, ou seja, a oração não é autenticada por causa do seu cumprimento, mas sim por seu peso e qualidade. Quantos irmãos se julgam mais espirituais, por orarem muito! Na verdade Deus procura por crentes espirituais que o adorem em espírito e em verdade. Devemos orar muito, mas não achando que é isto que nos torna espirituais. O que nos torna mais espirituais é a comunhão com Deus, através da submissão completa a sua palavra. Um bom modelo de vida cristã é a oração do Pai Nosso que muitos encaram como reza ou algo que deve ser decorado; sendo na verdade um modelo de ética que deve ser seguido por todo o cristão, pois nosso viver deve refletir um modelo de oração a ser seguido por todos.





 [OM1]Este ramo da Teologia é compreendido principalmente pelos movimentos estranhos a luz da Bíblia como a Teologia da Prosperidade, Confissão Positiva, Regressão Psicológica e a Quebra de Maldição hereditária. (Gl 1:8; Cl 2:14; Rm8 :1)

LIVRO: A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NO PENTECOSTALISMO BRASILEIRO.

O Livro: “A História da Educação Teológica no Pentecostalismo Brasileiro”, de autoria do teólogo e professor Orlando Martins, revisita a h...