domingo, 8 de janeiro de 2017

OS CRISTÃOS DEVEM GUARDAR O SÁBADO?

Orlando Martins

Para que possamos entender o porquê não guardamos o sábado, vamos primeiramente compreender como vivia um judeu naquele tempo em que todos habitantes da Judéia guardavam não apenas o sábado, mas também se circuncidavam, liam a Tanach (Bíblia hebraica), guardavam as festas judaicas e não comiam certos de tipos de alimentos, como qualquer habitante comum que respeitava as leis exclusivas daquele tempo para o povo judeu, como Jesus que respeitava muito os costumes locais, a ponto de ter sido circuncidado por seus pais ao oitavo dia! Entretanto porque os guardadores do sábado atualmente não fazem o mesmo e não se circuncidam? Já que querem viver na Lei, estes devem se lembrar que guardar a lei não é apenas observar os dez mandamentos e que estes são apenas um resumo da lei mosaica. Veja o que Tiago disse: “qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos” (2.10). Caro sabatista, ou você guarda toda a lei, ou você está tropeçando! A posição de Cristo Jesus sobre o sábado é clara, leia Mateus 12.1-14, ele nunca ensinou os seus discípulos a guardarem o sétimo dia, nunca foi um costume do mestre ou dos seus apóstolos. Por que Ele não fez isso, já que tal mandamento é tão importante? Ora, se fosse tão relevante o próprio Cristo teria destacado este mandamento você não acha! Ao ser questionado pelos religiosos, ele não fez a mínima questão de salientar que o tal mandamento é atemporal e aplicável à sua Igreja, ele preferiu responder como outra pergunta: “É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? E eles [os fariseus] calaram-se” (Mc 3.4).



Portanto, convém ressaltar que a lei e os profetas duraram até João Batista (Lc 16.16) e que o aludido profeta viveu no período neotestamentário, mas o seu ministério obedeceu aos parâmetros vigentes no Antigo Testamento, até porque João Batista foi considerado o ultimo profeta que seguia os parâmetros veterotestamentários. Com a manifestação de Jesus, o Verbo de Deus, além do ministério profético veterotestamentário, a lei mosaica deixou de vigorar, Cristo inaugurou um novo tempo o período da graça ou do Espírito, sendo que a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo 1.17; Rm 10.4). Meditemos em Gálatas e tenhamos cuidado com o “outro evangelho” (1.6-12).Caro leitor, quando lemos a Bíblia com cuidado, logo acabamos por interpreta-la com equidade e seriedade e assim não somos influenciados por nenhum ensinamento estranho a fé cristã, até porque, estamos no novo concerto, na nova aliança e nossa salvação não se encontra condicionada com a guarda de um dia, mas com a santidade sem a qual ninguém verá a Deus!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A IMPORTÂNCIA DE SE CONGREGAR EM UMA IGREJA!

Orlando Martins 

            Congregar em uma igreja é   importante e faz parte de uma cultura bíblica, pois, encontra legitimidade nos ensinamentos bíblicos, especialmente no Novo Testamento, onde vemos claramente o apóstolo Paulo  constituindo igrejas e pastores locais nas comunidades epistolares de base. Entretanto, nas ultimas duas décadas, tem surgido movimento que tentam descredibilizar a igreja, no entanto  estes se esquecem que o padrão eclesiástico, é um modelo que encontra sólida base bíblica, tanto no Antigo como no Novo Testamento. 
           Contudo, vejo tantas pessoas falando mal da igreja, no entanto, discordo destes, pois, apesar de ser um local constituído por pessoas, é um lugar maravilhoso. Na igreja, somos pastoreados, edificados através da pregação e do ensino, despertados através da oração e vivificados pela ação do Espírito Santo por meio da comunhão que temos com os nossos irmãos! 
Portanto, você que faz parte de uma denominação séria, não deixe de congregar!


10 Razões porque jamais serei desigrejado

1 - Porque a igreja é a comunidade do Deus vivo
2 - Porque necessito ser pastoreado
3-  Porque na igreja somos doutrinados e fortalecidos na palavra
4 - Porque aprendemos os fundamentos da fé, por meio do ensino e da pregação. 
5 - Porque na igreja, somos despertados através da oração. 
6 - A Igreja é um local de comunhão entre os irmãos
7 - A Igreja é local de fortalecimento espiritual 
8 - Nos cultos compartilhamos nossa fé, fortalecemo-nos uns ao outros no Senhor.
9 - Devemos congregar porque a Igreja é Refúgio em tempos de aflições.
10 - Devemos congregar porque queremos seguir o exemplo bíblico ensinado pelos  apóstolos.

"Então eles o adoraram e voltaram com grande júbilo para Jerusalém." Lc 24:52 

"E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus." Lc 24:53

"Não deixemo-nos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima." Hebreus 10:25.

domingo, 1 de janeiro de 2017

A RELAÇÃO CONFLITIVA ENTRE A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA FORMAL E A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA NAS ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL


Orlando Eduardo Capellão Martins [1]


INTRODUÇÃO

A educação teológica formal foi alvo de muitas críticas durante a história das Assembleias de Deus. Por meio desta pesquisa procura-se analisar a relação conflitiva entre a educação teológica formal e a experiência religiosa nas Assembleias de Deus no Brasil. Também foi alvo de muita rejeição por parte dos primeiros missionários suecos no País. Como consequência do anti-intelectualismo, marca do reavivamento americano, surgiu o dualismo entre a educação teológica formal e a experiência religiosa. Por meio desta análise pode-se compreender por que, no meio pentecostal, muitos líderes preferem teologia devocional à teologia acadêmica. Por fim, teve-se como resultado mais expressivo o conjunto de pesquisas documental e historiográfica que comprova o conflito entre a missão sueca (contraria à fundação de institutos bíblicos) e a missão americana (que apoiava a fundação de institutos bíblicos). E, como nos tempos atuais, em que se aceita a importância dos cursos teológicos, esse conflito ainda é sentido, pois é fruto de um legado que valorizou demasiadamente o anti-intelectualismo e demonizou o conhecimento. Portanto, mesmo hoje é possível encontrar pessoas vinculadas a igrejas pentecostais que acreditam que a “Letra” mata — legado deixado pela relação conflitiva entre a educação teológica formal e a experiência religiosa nas Assembleias de Deus.

Palavras-Chave: Relação Conflitiva. Educação Teológica Formal. Experiência Religiosa. História do Pentecostalismo.



Fundada em 1911 por missionários suecos, a Assembleia de Deus teve sua identidade modelada com base na relação conflitiva entre a educação teológica formal e a experiência religiosa, sendo esse o pensamento dominante entre os primeiros missionários suecos, o que remete ao anti-intelectualismo que permeou parte da história do protestantismo, principalmente os movimentos de renovação nos EUA e cria certo vácuo entre o pensamento dos primeiros pais da igreja[5] e da reforma protestante, em detrimento do pentecostalismo.
Destarte, compreende-se por que somente 47 anos após sua fundação é que surge o primeiro instituto bíblico e, mesmo assim, sem a aprovação de maior parte da liderança brasileira.
A Assembleia de Deus no Brasil foi fundada em Belém do Pará por dois missionários suecos, mas que residiam nos Estados Unidos da América (EUA), Gunnar Vungrem e Daniel Berg, de modo que, com base no empenho desses missionários é que se teve início o trabalho pentecostal em solo brasileiro, dando origem ao Movimento Pentecostal no País. Trouxeram consigo a influência recebida nos EUA pelo Avivamento Pentecostal da Rua Azusa e de Topeka,



Por ser uma igreja renovada, a AD sofreu profunda influência dos movimentos de avivamento dos EUA, provocando, dessa maneira, afastamento da tradição da reforma protestante, que enfatizava muito a formação teológica. A fim de entender o caminho que foi trilhado entre a reforma protestante e o Movimento Pentecostal, faz-se necessário apresentar breve relato histórico de como as igrejas pentecostais são mais conhecidas por seu fervor e vida devocional, embora tenham pouca profundidade teológica e acadêmica, sendo esta uma herança do anti-intelectualismo das chamadas igrejas renovadas americanas, que fez parte dos antecedentes históricos da formação da chamada teologia assembleiana, em especial em suas primeiras décadas de existência.


Fundada pelos missionários Gunnar Vungrem e Daniel Berger em 18 de junho de 1911 na cidade de Belém, capital do Estado do Pará, foi chamada primeiramente de Missão da Fé Apostólica, sendo que somente em 1918 o nome da igreja foi alterado para Assembleia de Deus, que, nos EUA, foi fundada em 1914. Primeiramente, Gunnar Vungren e Daniel Berger congregaram na primeira Igreja Batista de Belém, mas, por enfatizarem a experiência pentecostal foram incompreendidos e saíram dessa igreja, dando início ao maior movimento de renovação da história do País.
Nas primeiras quatro décadas, as ADs solo brasileiro foram comandadas, não somente por seus fundadores, mas por pastores suecos, enviados pela missão daquele país, que, naquele momento, enfrentava dificuldades financeiras. Fato que incentivou a imigração sueca para os EUA a partir de 1870. É nesse contexto que muitos missionários vieram para a América do Norte. Destarte, como consequência do Movimento Pentecostal da Rua Azuza, os missionários suecos, apoiados pela missão de seu país, chegaram ao Brasil, em especial à Região Norte, e legitimou suas ações, sob uma perspectiva sueco-nordestina, sendo comandada pelos suecos, mas crescendo em solo nortista, principalmente no nordeste (mesmo que na década de 1930 já houvesse ADs no eixo Rio-São Paulo). 
Os primeiros missionários suecos rejeitavam a educação formal, sendo que nas primeiras quatro décadas não houve incentivo a implantação da educação teológica, entretanto, os missionários suecos eram bíblistas, mas, por acharem que o muito estudar poderia sufocar a espiritualidade, não investiram em cursos de longa duração.
Chegaram, em meados dos anos 1950, os primeiros missionários americanos, os quais tinham grande apreço pela educação teológica formal, diferentemente dos suecos, que não muniam interesse pela educação teológica formal e preferiam investir em Escola Bíblica para Obreiros (EBO), com duração de no máximo 15 dias, em que se abordava as doutrinas de modo bastante simples e prático. Paul Freston observa que:

Os suecos eram contra qualquer seminário, porque eles acreditavam que não havia necessidade de erudição para o pastorado, visto que eles conheciam uma igreja protestante oficial – a luterana – que era muito erudita, mas que na ótica deles havia traído o evangelho, havia se mesclado com a alta cultura e vendido seu compromisso com o Evangelho.[7]

Com esse discurso, os missionários suecos desaconselhavam e praticamente proibiam qualquer obreiro ou membro que demonstrasse interesse nos estudos de teologia, pois eles tinham medo de que as ADs se tornassem uma igreja formal, dominada pelo liberalismo teológico, tendo como base o academicismo, que, de acordo com os primeiros pentecostais, levaram algumas igrejas históricas a secularizar-se. De acordo com Claiton Pommerening:

O apego à teoria de que não era necessário estudar sempre fez parte da maioria dos movimentos pentecostais, bem como em alguns casos, também dos movimentos sensacionalistas que apelavam mais à emotividade, surgidos nos séculos XVIII e XIX, ideia está geralmente difundida por seus líderes, pois se acreditava que o estudo extinguiria o agir do Espírito. Tais líderes influenciaram o pensamento pentecostal sobre a não importância dos estudos e levaram a um anti-intelectualíssimo.[8]

Tais pastores diziam que a revelação experiencial — e não a revelação por meio do estudo equilibrado das Escrituras — era o que importava (GERMANO, 2013). Entretanto, esse discurso perdeu fôlego ao longo dos anos, pois a falta de cursos formais em teologia acarretava uma série de dificuldades hermenêuticas. Com base nisso, pode-se dizer que houve muita dificuldade para a implantação de um corpo doutrinal consistente, isso nas primeiras décadas do Movimento Pentecostal, pois havia um biblicismo exacerbado, no qual cada pessoa interpretava a Palavra a seu modo.

USOS E COSTUMES:USOS E COSTUMES[9]: A MANUTENÇÃO DA DOUTRINA [10] ASSEMBLEIANA

Nas primeiras quatro décadas do Movimento Pentecostal, por falta de uma hermenêutica clara e de uma teologia profunda, confundiu-se costumes com doutrinas, que, em suma, só aumentava as controvérsias e dissidências, de maneira que surgiam com base nisso, chegando muitos deles a confundir doutrina bíblica com usos e costumes, o que provocou controvérsias e embates entre os pastores assembleianos, em especial nas convenções, pois com a fundação da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), as convenções de ministros assembleianos passaram, a partir de 1930, a serem realizadas periodicamente. Nessas reuniões se debatiam, em pauta os principais temas em busca de uma unidade doutrinal e administrativa, que, de acordo, com Araújo, definia a imagem do povo pentecostal nas primeiras décadas em solo brasileiro:[11]

Os usos e costumes estiveram profundamente arraigados à própria imagem que os pentecostais faziam de si mesmo e às representações estereotipadas, uniformizadoras, que a maioria dos brasileiros, ainda hoje mantem a respeito deles.

Por falta de uma teologia profunda, confundia-se claramente doutrina com costumes, e santidade com legalismo, sendo essa prática herança do Movimento Holiness (Santidade)[12], movimento de origem britânica e que enfatizava demasiadamente a busca pela santidade e pela separação do mundo. O pentecostalismo[13] nasceu entre crentes pertencentes às denominações históricas e assim foi crescendo e desenvolvendo suas próprias crenças e dogmas, sendo estas influenciadas profundamente pelo Movimento de Santidade, do qual o próprio Wiliam Seymour fez parte até o fim de sua vida, mesmo sendo este o principal representante do Movimento da Rua Azusa, influenciando profundamente os missionários suecos que vieram para o Brasil. De acordo com Araújo (2014), havia forte conotação para os usos e costumes entre os assembleianos e, entre alguns segmentos pentecostais, o rigor legalista e restrições ao vestuário, ao uso de bijuterias, aos produtos de beleza, ao corte de cabelo. Além dos diversos dogmas que permearam o contexto assembleiano nas primeiras décadas do movimento no País, mas que ainda hoje há igrejas que se mantêm presas a essa tradição.

A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE PENTECOSTAL NO BRASIL

No Brasil, o pentecostalismo “nasceu”, difundiu-se, consolidou-se e tornou-se hegemônico, sem a necessidade da educação formal, pois os primeiros missionários pentecostais consideravam o ensino teológico desnecessário. Para eles, o que realmente importava era o carisma.
As Assembleias de Deus, em seu início, não atribuíam valor à educação teológica, que eles pejorativamente denominavam Fábrica de Pastores. Mesmo sendo fundada no Brasil em 1911, somente na década de 1980 que o conhecimento teológico foi considerado requisito para a ordenação de um pastor. Ao longo de seus primeiros anos fundação, as ADs não tiveram institutos bíblicos, seminários ou faculdades. E não sentiram falta deles, como expressado por meio do Mensageiro da Paz, órgão oficial da CGADB.

O melhor seminário para o pregador é o de “joelhos” perante a face do Senhor. Ali o Espírito Santo nos transmite os mais belos e poderosos sermões. Aleluia! São Pedro não foi formado por nenhum seminário. MP – 15/09/1931.[15]

Nas ADs (entre 1910 e 1940) imperava a orientação doutrinária dos primeiros missionários suecos. Em suas primeiras décadas, a voz da teologia assembleiana era legitimada por meio dos artigos escritos nos jornais Boa Semente, Som Alegre e Mensageiro da Paz, e nas lições de Escola Bíblica (todas praticamente comentadas pelos missionários suecos). Destacaram-se, nesse período, os seguintes pastores: Gunnar Vungrem, Samuel Nystron, Nils Kastberg, Otto Nelson, Nels Nelson e Joel Carson.

A ESCOLA DOMINICAL E A MANUTENÇÃO DOUTRINÁRIA DA IGREJA

Por meio dos periódicos, as ADs perpetuavam suas doutrinas e crenças. Porém, como relata Brunelli (2016), a revista de Escola Dominical é, sem duvida, o órgão de maior excelência na formação e manutenção doutrinária da igreja. A cada três meses, os alunos estudavam temas específicos, sendo a revista de EBD a responsável pela unidade teológica da igreja. Nessas revistas, enfatizava-se a doutrina do batismo com o Espírito Santo, as doutrinas pentecostais e as verdades cardeais da fé cristã. Por mais que houvesse muito legalismo entre os pentecostais, esse tipo de ensino era mais enfatizado nos cultos, sendo que na EBD ensinavam-se as doutrinas bíblicas, mas com um olhar pentecostal — o que legitimou a expansão das verdades do pentecostalismo.



Ao longo dos primeiros anos de fundação da igreja, surge também o nome de Lars Erik Bergstén, mais conhecido como irmão Eurico Bergsten, pois com o retorno de Samuel Nystron para Suécia, Eurico Bergsten passa a se destacar como o maior expositor das verdades pentecostais, sendo considerado aquele que exerce maior influência na formação da teologia pentecostal[16]. Ao longo de mais de quatro décadas servindo a igreja brasileira, o missionário Eurico Bergsten escreveu mais de 30 revistas de Escola Dominical, todas abordando as principais doutrinas bíblicas defendidas pelo chamado pentecostalismo clássico. Portanto, embora nas primeiras décadas as ADs não tenham priorizado a educação teológica formal, não significa que tenham descuidado com o estudo das doutrinas cristãs, que eram defendidas por meio dos periódicos pentecostais, em especial através das lições de EBD.

O ENSINO BÍBLICO E A REJEIÇÃO CONTRA A EDUCAÇAÕ TEOLÓGICA FORMAL

Por mais que houvesse resistência ao ensino teológico formal nas ADs, não houve aversão ao ensino da Bíblia. Pois, mesmo sem a devida profundidade, desde o início da história da denominação houvera EBD e EBO, ainda que fossem cursos ou aulas práticas e sem tanta profundidade. Sendo essa uma opção da missão sueca, até porque em seu início a liderança brasileira era majoritariamente formada por pastores suecos e estes julgavam desnecessário o conhecimento teológico formal. Segundo Gedeon Alencar, os fundadores da AD não almejavam uma igreja burocratizada, senão carismática[17] — marcas desses missionários que fundaram um movimento e não uma denominação. Por pensarem que as teologias institucionalizadas tornariam as igrejas pentecostais desfervorosas em relação a sua comunhão com o Espirito Santo (iguais às igrejas históricas), cumpre lembrar que a convenção de 1948 (quando se debateu a proposta de implantação de institutos bíblicos) também ilustra a tensão entre a educação teológica formal e a experiência religiosa nas ADs.

O irmão Pires faz ver que a maioria dos irmãos são contrários aos cursos bíblicos por correspondência. Disse ainda que temos uma escola, a de Jesus, que não aprendeu, como outros, e foi provado na Igreja para o ministério. Mostrou a necessidade de ser chamado por Deus e consagrar-se ao Senhor, e não desprezar a graça que Deus tem dado a Igreja pelos ministérios.[18]

Em artigo publicado em 1937, no jornal Mensageiro da Paz:

Os teólogos são espiritualmente secos [...] enquanto esses teoristas escavam e encontram papéis, o crente simples, nas suas escavações (de joelhos dobrados) encontra agua viva, com abundância. Um acha a palavra que mata, outro o Espírito que vivifica.[19]

Tal opinião, expressa num artigo no principal jornal das ADs, demostra como o anti-intelectualísmo permeou o pensamento pentecostal brasileiro em seu início. Além desse, outro perigo é a falta de exegese, ou seja, a interpretação incoerente de uma passagem das Escrituras. No artigo, o articulista afirma de modo inequívoco que o estudo teológico é, a na verdade, a “letra que mata” de II Co 3.6-9, o que se constitui num erro crasso de interpretação.
Para construção deste projeto, apresenta-se a interpretação correta do texto em tela que foi extraída do livro O Espírito Santo, a pessoa e a obra:

Alguns cristãos quando leem a passagem de II Co 3:6-9, realmente pensam que estudar a Bíblia mata a espiritualidade, por isso são categóricos ao afirmar que a “letra mata”. Entretanto por não lerem todo o contexto do aludido versículo, confundem a letra da lei judaica que era a interpretação rabínica da lei feita por intermédio do talmude ou os 613 preceitos da constituição de Israel com a palavra de Deus. É simples de se compreender essa passagem basta ler todo o contexto: “O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecesse, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior porção será glorioso o ministério da justiça” (II Co 3.6-9). Neste contexto não se observa nenhuma alusão ao cânon fechado, pois a Bíblia, não havia sido totalmente formada, sendo que o apóstolo Paulo estava se referindo ao modo de interpretação da lei promovida pelos líderes do judaísmo que com preceitos judaicos sem vida só condenavam e apontavam sem nenhuma misericórdia. Ao contrário do ministério do Espírito, onde a salvação está disposta a todos. Sendo que no aludido versículo se compara à transitoriedade da lei judaica, em comparação com a graça.[20]

EDUCAÇÃO TEOLÓGICA FORMAL: UMA AMEAÇA A FÉ DOS PRIMEIROS PENTECOSTAIS

Entre os pioneiros pentecostais havia o entendimento de que o estudo poderia sufocar a espiritualidade e, por isso, quase sempre afirmavam que a “Letra” matava, mas o Espírito, segundo os pentecostais que interpretam as Escrituras ipis litteri, vivificaria a fé. De acordo com essa perspectiva, a “Letra” representa (va): o acúmulo de conhecimentos que caducava a vida devocional levando-a a morte. Deve-se expor ainda que o estudo acadêmico e teológico eram, em alguns contextos, demonizados através de uma retórica que se servia de passagens bíblicas, reinterpretadas com o intuito de desestimular e coagir os interessados pelos estudos teológicos. O ascetismo religioso foi o leitmotiv para a rejeição de qualquer forma de saber que colocasse entre aspas a simplicidade daquele evangelho descrito, segundo eles, pelas Santas Escrituras. No entanto, é preciso memorar que a geografia religiosa que albergou o pentecostalismo nos primeiros anos contribuiu para que os atores religiosos, isto é, líderes se apropriassem de clichês biblicamente ressignificados, com aquela intencionalidade já mencionada de desautorizar aqueles indivíduos que apresentavam certo destaque nas questões religiosas de conhecimento teórico. As expressões eram do tipo “conhecimento até o diabo tem”, ou “o diabo e os demônios conhecem, mas não obedecem”.


Todo ou qualquer estudo formal obtido por meio de uma formação acadêmica em Teologia era tomado como ameaça à fé. Os demais campos do conhecimento humano eram menos atacados. De acordo com o pastor e educador pentecostal Altair Germano:

Com a perspectiva escandinava de formação de obreiros, a ideia da criação de institutos bíblicos para a educação teológica formal nas Assembleias de Deus só começou a ser discutida após a chegada dos primeiros missionários norte-americanos, entre os anos 30 e 40. Os missionários norte-americanos, diferentemente dos escandinavos, optavam pela criação de institutos bíblicos, caracterizados pelo ensino formal das Escrituras, através de cursos de longa duração. Nos EUA, era comum o fato de um obreiro precisar se submeter, antes da sua ordenação, a um preparo médio de quatro anos em um instituto bíblico. Em 1943, na 4ª Semana Bíblica das Assembleias de Deus no Brasil, realizada em São Cristovão-RJ, surge os primeiros debates convencionais sobre o ensino teológico formal, tendo como apresentador do assunto o pastor e missionário norte-americano John Peter Kolenda. Na discussão sobre o tema, o pastor Paulo Leivas Macalão falou da possibilidade de se criar uma escola bíblica noturna para obreiros, com aulas semanais fixas nos dias em que os obreiros tivessem as noites livres dos cultos principais. Um plano de estudo por correspondência foi também apresentado. O missionário norte-americano Lawrense Olson foi mais além, propondo que as Assembleias de Deus no Brasil abrissem institutos bíblicos, escolas teológicas e seminários pelo país. A proposta encontrou forte resistência, tendo em vista a forte influência da perspectiva escandinava de formação de obreiros, herdada pelos obreiros nacionais dos primeiros missionários. [21]


Entretanto, mesmo com a chegada dos americanos, esse assunto ainda era considerado polêmico e gerava muitos embates e desgastes. Um dos primeiros a tentar lutar contra essa corrente foi o poeta e teólogo pentecostal Joanyr de Oliveira. De acordo com o pastor Isael de Araújo, em seu dicionário pentecostal, acerca da luta inglória do pastor Joany de Oliveira:

Ele foi um dos que, por meio de A Seara, empunhou a bandeira do ensino teológico nas Assembleias de Deus, sempre encontrando barreiras intransponíveis. Os atritos aumentaram quando Joanyr propôs a criação de institutos bíblicos, porém Emilio Conde, que dirigia o jornal Mensageiro da Paz e identificado com os conservadores, acatou a determinação para que o jornal sequer mencionasse a expressão Instituto bíblico.[22]

Tem havido, ao longo das últimas décadas, conflito entre aqueles que gostam de teologia e a fé pentecostal. Para muitos, o estudo de teologia é desnecessário e esfria a fé do crente, mas, na verdade, o ensino teológico é importante e necessário, pois ajuda no amadurecimento e no fortalecimento da fé.

Nas visitas que o pastor Paulo Leivas Macalão, líder da AD de Madureira, fazia a sua residência em Brasília, Joanyr aproveitava a ocasião para falar sobre a necessidade de investir em educação teológica. Mas ao sugerir essa discussão, Joanyr pregava no deserto. Depois de insistir por três anos consecutivos, Joanyr obteve boa receptividade de Macalão ao propor a discussão sobre instituto bíblico.[23]

A CHEGADA DA MISSÃO AMERICANA

Houve uma mudança de mentalidade nas ADs, com a chegada dos primeiros missionários americanos e, por conseguinte, com a implantação do primeiro instituto bíblico pentecostal em solo brasileiro. No início, a AD (mantida pela missão sueca) era uma igreja rural, sediada no Norte e Nordeste e com profunda influência do catolicismo.
Ao longo das décadas, missionários americanos também começaram a vir para o Brasil, e estes, além de apoiar o conhecimento teológico, pois, diferentemente dos missionários suecos, eram, em sua maioria, formados em Teologia. Diferentemente dos pastores suecos, que viam a educação teológica formal como uma ameaça e, desta feita, investiram na formação dos obreiros por meio de Escolas Bíblicas, com temas objetivos e sem profundidade, mas que atendiam a algumas necessidades das igrejas locais.

AS PRIMEIRAS TENTATIVAS PARA A FUNDAÇÃO DE UM INSTITUTO BÍBLICO

De acordo com Pommerining[24], as primeiras tentativas para a implantação de um instituto bíblico em solo brasileiro foram realizadas no Estado de Santa Catarina, sob o esforço de John Peter Kolenda (conhecido como JP Kolenda). Inicialmente, o seminário seria instalado nas cidades de Brusque ou Joinville, mas essa tentativa acabou por ser frustrada pela rejeição veemente dos pastores catarinenses contra tal implantação. Para eles, essa instituição de ensino teológico formal fatalmente iria sufocar a espiritualidade desses pastores, o que foi materializado por meio de “sonhos espiritualizantes”.

A FUNDAÇÃO DO IBAD E A LEGITIMAÇÃO PARA A CRIAÇÃO DE NOVOS
INSTITUTOS BÍBLICOS NAS AD´S.

As doutrinas cardeais da fé pentecostal no Brasil foram sistematizadas através dos missionários americanos a partir da década de 1950 e 1960, pois estes já apresentavam sólida fundamentação teológica, o que culminou na fundação do Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Brasil (IBAD).Após a criação do IBAD, outros seminários e cursos teológicos foram fundados no Brasil: Instituto Bíblico Pentecostal (IBP) no Rio de Janeiro, Instituto Bíblico do Amazonas (IBADAM) em Manaus, Instituto Bíblico Esperança (IBE) em Porto Alegre.



Portanto, a partir da década de 1970 e 1980 surgem muitos cursos e escolas teológicas, entre as quais, a Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus (EETAD), que propaga a educação teológica através de núcleos de cursos básico e médio pelo País. Já no ano de 2007, é fundada a Faculdade Evangélica de Tecnologia Ciências e Biotecnologia (FAECAD), sendo esta uma instituição aprovada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). Hoje, muitas faculdades assembleianas são aprovadas por esse órgão, já outras são faculdades livres, todavia, os alunos desses cursos convalidam em faculdades que sejam aprovadas pelo MEC.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente artigo apresento o conflito surgido entre a liderança pentecostal brasileira e a educação teológica formal no contexto brasileiro. Esta é uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, por meio de um levantamento de dados históricos sobre a relação conflitiva entre o pensamento pentecostal brasileiro e a educação teológica formal em obras historiográficas, artigos acadêmicos, livros, dissertações e teses. Em minha pesquisa, buscam-se informações sobre os discursos favoráveis e contrários ao ensino teológico por parte de lideranças assembleianas. Através de arquivos de jornais periódicos da Assembleia de Deus. Por muitas décadas, estes periódicos foram os principais meios de doutrinamento da liderança pentecostal no Brasil. Primeiramente, o trabalho trata da objeção ao ensino teológico formal nas Assembleias de Deus brasileiras. Através da compreensão ampla desta discussão que tem o seu início não dentro do campo do pensamento pentecostal. Mas, sim, nas discussões entre a emocionalidade e a racionalidade e a herança anti-intelectual nas origens da maior parte dos movimentos evangélicos, em especial nos de renovação.
De fato, a educação teológica formal e fé pentecostal, tiveram suas querelas e em alguns rincões tal conflito não deixou de existir. No entanto, este tema provocou muitos embates e discussões nas convenções de pastores e em especial nas comunidades assembleianas. Sendo que estas, de modo geral, por não aceitarem o conhecimento teológico formal, criaram campo, para a formação de um dualismo de pensamentos, que permeou o modus pensandi pentecostal até a década de 70 e o início dos anos 80.



 REFERÊNCIAS
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BRENDA, Albert W. Ouvi um recado do céu: biografia de J. P. Kolenda. Rio de Janeiro, 1984.
BRUNELLI, Walter. Teologia para pentecostais: uma teologia sistemática expandida. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2016.
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FRESTON, Paul. Protestantes e política no Brasil: da constituinte ao Impeachment. Campinas: Tese de doutorado IFCH-Unicamp, 1993.
GERMANO, Altair. A Educação Teológica nas Assembleias de Deus no Brasil: resistência e ascensão (1). Disponível em: <http://www.altairgermano.net/2010/08/educacao-teologica-nas-assembleias-de.html>. Acesso em: 29 ago. 2015.
GOMES, José Ozean. Educação Teológica no pentecostalismo brasileiro: a política eclesiástica da Assembleia de Deus com Respeito ao Ensino Formal (1943-1983). São Paulo: Fonte editorial, 2013.
GOMES, Osiel. Mais palavra, menos emocionalismo. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
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[1] Orlando Eduardo Capellão Martins  é Jornalista, teólogo, professor e escritor.  Pastor auxiliar, diretor da Faculdade Mais de Cristo, gestor da área de educação cristã e vice-presidente da  Assembleia de Deus Mais de Cristo de Florianópolis, SC. Bacharel em Teologia (CETEF) ; Bacharel em Jornalismo (UNISUL), Especializando em educação (UNIESC) e mestrando em Teologia (EST). Professor universitário e de Teologia na faculdade Mais de Cristo e em cursos teológicos e universitários no estado de Santa Catarina.

[2] Escola Bíblica Dominical: curso bíblico com duração de três meses, ministrado através de lições comentadas por pastores ou professores bíblicos. Nas primeiras quatro décadas, basicamente, foram comentadas pelos pastores suecos, sendo as lições de caráter bíblico, devocional e dogmático.

[3] Escola Bíblica para Obreiros: em detrimento da educação teológica formal, ignorada pelos missionários suecos, a EBO foi o modelo adotado por estes missionários. Tratava-se de um curso realizado em lugares estratégicos, com duração de 15 dias e temas práticos para o exercício do chamado pastoral. O conteúdo versado era de caráter mais devocional e prático, em que se objetivava mais a formação prática e do cotidiano pastoral, entretanto, faltava a exposição de uma teologia mais profunda, circunstância suprida com a chegada da missão americana que fundou os primeiros institutos bíblicos, representando, portanto, o advento da educação teológica formal entre os pentecostais.

[4] ARAUJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: Edições CPAD, 2015.

[5] País da Igreja: São os primeiros apologistas e teólogos da igreja, que são classificados entre os séculos II e VII, sendo que os seus tratados teológicos foram utilizados nos séculos subsequentes.

[6] FRESTON, Paul. Protestantes e política no Brasil: da constituinte ao Impeachment. Campinas: Tese de Doutorado IFCH-Unicamp, 1993. p. 23.

[7] FRESTON, 1993, p. 23.

[8] POMMERENING, Claiton Ivan. O ESPÍRITO em movimento na Assembleia de Deus. Joinville: Editora REFIDIM, 2013. p. 66.

[9] Compreende-se por costumes conjunto de hábitos, normas e dogmas, e por doutrina.

[10] Compreende-se por doutrina ensino extraído das escrituras.

[11] ARAUJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: Edições CPAD, 2015,p.879.

[12] O Movimento Holiness (Santidade) é um movimento religioso iniciado entre os séculos 18 e 19, e que visa promover um cristianismo devocional e que enfatize a santificação total como uma segunda obra da graça, recebida mediante a fé e realizada através do batismo e do poder do Espírito Santo.

[13] Pentecostalismo: movimento religioso que nasceu no início do século 20, e que deu origem às Assembleias de Deus e que enfatiza o batismo com o Espírito Santo, o dom de línguas, a santificação e a contemporaneidade dos dons espirituais, sendo que, em seu nascedouro, as igrejas pentecostais enfatizavam os costumes e dogmas denominacionais, no entanto, atualmente, enfatizam mais o ensino e o conhecimento teológico.

[14] CARVALHO, Celso. A Assembleia não é de A ou B. Disponível em: <http:www.creio.com.br. Acesso em 05 out. 2016.

[15] JORNAL MP, 1931.

[16] REVISTA OBREIRO, 1998.

[17] ALENCAR, 2013, p.75-77.

[18] DANIEL, 2004, p.253.

[19] JORNAL MP, 1937.

[20] MARTINS, Orlando. O Espírito Santo, a pessoa e a obra. FAEST. Capinzal, 2014, p.45-48.

[21] GERMANO, Altair. A Educação Teológica nas Assembleias de Deus no Brasil: resistência e ascensão (1). Disponível em: <http://www.altairgermano.net/2010/08/educacao-teologica-nas-assembleias-de.html>. Acesso em: 29 ago. 2015.

[22] ARAUJO, 2007. p. 525.

[23] ARAUJO, 2007, p. 525-526.

[24] POMMERINING, 2013, p.74.