quarta-feira, 23 de abril de 2014

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO NA VIDA DA IGREJA


Pr. Orlando Martins   

Atualmente, em muitas comunidades de fé, muitos lideres não incentivam mais os seus membros a frequentarem a EBD e nem promovem mais reuniões de ensino, o que infelizmente tem gerado em muitas igrejas, uma geração de anões espirituais. Estes grupos se tornam presa fácil de todo e qualquer tipo de movimento, haja vista, acabam aceitando todo e qualquer tipo de manifestação como sendo divina e passam a desprezar a busca pela Teologia Bíblica, envolvendo-se em uma busca frenética pelo sobrenatural. Diante desta situação, alguns grupos, carentes de reflexão teológica séria, acabam importando modismos, os quais criam campo no meio evangélico. Entre os perigos, podemos citar os pneumatismos, que conduzem o povo à anarquia espiritual, gerando um comportamento típico de um povo que desenvolveu a sua própria cartilha, a informalidade, com muito espaço para o sensacionalismo e pouco para a reflexão teológica com base em fenômenos rápidos, com o intuito de atender às exigências do imediatismo teológico, o que cria campo para o chamado cristianismo fast-food, das coisas rápidas, dos efeitos dinamites: Onde não existe espaço para o pensar e para a reflexão.  Acerta certo pensador pentecostal quando faz uma correlação entre o cristianismo epidérmico dos dias hodiernos e a coca cola que apenas nos transmite um prazer momentâneo mais traz males para a saúde, o que faz com que muitos busquem apenas o poder, mas se esqueça da palavra, o que acaba gerando no seio da Igreja, o que chamamos de teologia popular, que paradoxalmente a teologia bíblica, valoriza mais a experiência do que a palavra

Teologia bíblica x Teologia popular

Muitos com boa intenção desejam verdadeiramente obter o poder de Deus, mas como não possuem uma base sólida na palavra acabam por confundir avivamento com movimento, o que gera o chamado cristianismo oba oba e promove mais movimento do que avivamento que só é possível  mediante a busca pelos fundamentos, como bem respondeu o Senhor Jesus aos saduceus: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Este grupo acaba criando a sua própria linguagem e se distancia da sistematização das escrituras, conforme se vê hoje nas igrejas as frases de efeito que são à base de uma cartilha de um grupo que detém a sua própria Teologia a informalidade: “É mistério,  Veja o varão de branco! Queima ele Jeová! Receba a bola de fogo!Recebaaaa! Estes jargões são típicos de grupos que buscam apenas o poder e não a palavra que é a verdadeira fonte deste poder, o que acaba por culminar numa espiritualidade exibicionista e epidérmica, onde não somos medidos pelo que somos ou fazemos, mas pelo poder que possuímos. Infelizmente este é o reflexo da falta de ensino, haja vista que as igrejas onde os mestres estão calados as heresias tomam campo e passam a fazer parte da vida da comunidade como algo normal, destarte, diante do exposto, vê a importância do ministério de ensino na vida da Igreja e em especial a Escola Bíblica. A EBD é o local onde se aprende os fundamentos da fé e para que possamos compreender bem esta premissa, basta estudarmos a importância do ensino ao longo da narrativa bíblica. 

Ensino no  Antigo Testamento: Primeiramente, o ensino era ministrado pelos anciões (Nm 22.29), posteriormente, pelos levitas e depois pelos escribas (Ed 7.10). Após o retorno do exílio babilônico de setenta anos, o povo judeu havia se esquecido do ensino da lei do Senhor. Diante dessa situação Esdras, o escriba, leu a lei perante o povo, desde a alva (cinco horas da manhã) até aproximadamente o meio-dia e um grupo de escribas traduziam o ensino, para que o povo, que falava aramaico, pudesse compreender  o real sentido do texto. Esta passagem é considerada por muitos especialistas, como sendo a primeira escola bíblica, pois foi a primeira vez que houve interpretação de passagens bíblicas, praticando-se o exercício tanto da hermenêutica como da exegese. O verdadeiro ensino bíblico produz arrependimento e confrontação, o que gerou um grande avivamento espiritual entre o povo de Israel.

Ensino no Novo Testamento: Podemos observar claramente o ministério do ensino na vida de Apolo, que era poderoso em palavras (At 18.24-28); no ministério do apóstolo Paulo, que ministrava sempre doutrinando as Igrejas; e em nosso Senhor Jesus, nosso maior exemplo, sendo chamado 50 vezes de mestre nos evangelhos (Jo 3.1). Seu ensino era ministrado por parábolas e por meio de pregações no templo. Após a sua morte, nosso Senhor deixou como mandamento principal  a tríplice missão da Igreja: “Evangelizar, Discipular e Ensinar”, Mt 28:18-20: “18 Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra”. 19 Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Esta tríplice missão, reflete em sua essência os três tipos de mensagem que  da Igreja neotestamentária, “Kerigmática, catequética e parinética”.  Como fruto desta missão, iremos  abordar estes três tipos de mensagem, que refletem a exposição da palavra na comunidade do NT.  

Mensagem Kerigmática (Ide): Este termo deriva do grego “kerigma”, que alude a boas-novas, podendo ser então a mensagem que evangeliza, visando ao ‘ide’ de Jesus (Mc 16.15), por intermédio da pregação, conhecida como mensagem kerigmática. A evangelização mundial deve ser o objetivo primordial do serviço cristão, pois Jesus veio para servir e dar a sua vida em resgate por muitos, morrendo na cruz do calvário e oferecendo o seu sangue para o resgate da humanidade perdida (Jo 3.16; Gl 3.13). Nos dias atuais, a Igreja conta com vários recursos para cumprir cabalmente a sua missão de agência evangelizadora do mundo.

Mensagem Catequética (Fazer Discípulos): A mensagem catequética é voltada para o ensino do  novo convertido, visando o discipulado cristão (Cl 1.28-29). Para que exista edificação, deve-se, primeiramente, trabalhar na igreja com o discipulado, ou seja, com a mensagem catequética, para que o homem procure ser um eterno discípulo ou aprendiz de Cristo, permanecendo na palavra, que, não obstante, é a fonte da maturidade de um cristão. “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos” (Jo 8.31).

Mensagem Parinética (Ensinando): Após o processo inicial de discipulado, o homem encontra-se pronto para ser ensinado por meio da mensagem parinética ou de instrução e edificação para os cristãos. Nos dias hodiernos, a edificação pode ser definida como uma das mais importantes tarefas da Igreja, pois onde existe edificação os membros poderão produzir com mais afinco para o reino de Deus. Para definir a edificação como atividade espiritual,  devemos primeiramente lembrar  que Jesus é o pão da vida que nos é dado através de sua palavra (Jo 6:35). Após o processo inicial de discipulado o homem encontra-se pronto para ser ensinado através da mensagem parinética ou de instrução e edificação para os cristãos.  De acordo com o teólogo Jesiel Paulino: “Trata-se da mensagem de instrução que visa produzir orientação e crescimento na vida cristã, visando nossa condução à estatura de varão perfeito”.  “ Este tipo de mensagem procura conduzir o homem ao amadurecimento espiritual” Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4:15).Esta tríplice missão, além de ser executada por meio dos apóstolos, pregadores e evangelistas, haviam também  na Igreja primitiva pastores, mestres e  ensinadores,  que eram grandemente usados pelo Senhor, para ensinar e doutrinar a Igreja, por meio da edificação.

Como reflexão
O ministério do ensino é de suma importância para o desenvolvimento do corpo de Cristo, haja vista que as igrejas cujos mestres e ensinadores estão calados tornam-se um atrativo especial para as seitas heréticas e modismos antí-biblícos. Nossas Igrejas têm investido no ministério do ensino? Até que ponto, este ministério tem sido considerado importante para a Igreja, diante do contexto pós-moderno em que nos encontramos!

Pr. Orlando Martins

Vice-presidente da AD Mais de Cristo em Florianópolis,  pastor auxiliar, bacharel em teologia e jornalismo, especializando em educação,escritor, diretor da Faculdade Mais de Cristo e professor de matérias teológicas em  seminários e faculdades  no estado de SC.

Referências bibliográficas

- PAULINO, Jesiel. III EEDUC. Teologia e espiritualidade, 2002. Ed. CEC, Itajaí,SC.100 p.
- PAULINO,Jesiel.EBO.A Integridade e Espiritualidade do Ministro, 2002. Ed. CEC, Itajai, SC.40 p.
- MARTINS, Orlando. Como ser um servo, ed. Particular, 2011, Florianópolis,SC.

- MARTINS, Orlando. O Poder de Deus, ed. Conceito,2009. Ed. Conceito,  Florianópolis, SC.

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