sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ESPIRITUALIDADE NA ÓTICA DE JESUS


Nosso Senhor sempre valorizou o contato com as pessoas, em nome delas transformava constantemente o comum em sacro e o sacro em comum; ele curou no dia de sábado, desafiando todos os dogmas judaicos (Jo 13:14); ensinando que o homem não foi criado por causa do sábado, mas o sábado criado por causa do homem. Seu ensinamento revolucionou o método de interpretação da lei, dando um novo sentido a esta, valorizando mais o relacionamento com as pessoas do que os ritos e sacrifícios,o que se diferenciava muito do que era praticado pelos religiosos da época, em especial os fariseus que era o partido politico representante da sinagoga e dos saduceus, o partido politico do Templo. Durante suas ministrações Jesus enfatizava a importância da guarda de um novo mandamento, a prática do amor como virtude essencial para o cumprimento da lei, levando o homem a sentir pelo outro o que senti por si próprio. Todavia o que Cristo deseja ensinar justamente é que o nosso amor deve abranger o mundo inteiro até mesmo aqueles que não são de nosso meio social, cultural e religioso. Como no caso dos samaritanos que eram considerados pelos judeus como hereges e imundos, pois diferentemente dos judeus eles não criam em toda a Lei, mas apenas no Pentateuco e o seu povo era miscigenado sofrendo grande influência dos assírios. Jesus como não era dado a discussões ignorou esta situação. Ele conversou com uma mulher samaritana, desafiando os fariseus que evitavam qualquer contato com mulheres que não fossem da própria família (Jo 4:1-18); ele ensinou a esta mulher, desafiando o modelo pedagógico dos rabinos que preferiam queimar a Torá (Lei de Deus) do que ensinar uma mulher, pior ainda sendo ela uma samaritana. Jesus conhecendo a rivalidade milenar existente entre judeus e samaritanos contou a Parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25-37); ensinou o caminho da salvação a uma samaritana (Jo 4) e teve o prazer de ressaltar que dos dez leprosos curados o único que voltou para agradecer foi justamente o que era samaritano.Devemos analisar as ações de Jesus e ter ele como nossa base diaconal e modelo de liderança baseada no servir. Diante do exposto, urge que como cristãos tenhamos um relacionamento vertical que ligue Deus ao Homem e que possa ser também horizontal, ajudando este a entender o seu próximo através de suas práticas diaconais. o que gera a Koinonia "comunhão". Entretanto para que possamos compreender nosso semelhante devemos deixar de lado os conceitos pré-concebidos, construindo pontes por meio de relacionamentos que sejam duradouros no tempo e eficazes nas ações, pois uma ação fala mais alto que mil palavras. Inácio de Antioquia definia a igreja como o ágape, o amor ou o sinal visível do amor de Deus manifestado na vida dos homens o que gera a ortopraxia "prática de vida cristã". Em seu ministério terreno, Jesus procurou refletir em suas atitudes o pai e nós como servos de Deus devemos procurar refletir suas ações através do Fruto do Espírito (Gl 5:22) que significa expressões do caráter de Cristo em nossas vidas. Segundo o teólogo Paulo César Lima: “O maior desafio da igreja não é tornar-se divina, mas tornar-se humana. E quanto mais humana a igreja torna-se, mais divina ela ficará, para respaldo desta verdade, temos Cristo como o nosso grande paradigma”.

Pr. Orlando Martins

Vice - presidente da  AD  Mais de Cristo em Florianópolis,  pastor auxiliar, bacharel em teologia e jornalismo, especializando em educação, escritor, diretor da Faculdade Mais de Cristo e professor de matérias teológicas em   seminários e faculdades  no estado de SC.

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