domingo, 2 de abril de 2017

COMPREENDENDO O DOM DA FÉ A LUZ DA BÍBLIA

DOM DA FÉ

A palavra fé, etimologicamente falando, significa confiança. Já no original hebraico é “pistis”, que significa persuasão firme, convicção fundamentada no ouvir (Rm 10.17). O vocábulo é encontrado 244 vezes nas páginas do Novo Testamento. Basicamente, existem cinco tipos de fé, a saber:

Fé Natural: acredita no que vê e no que foi programado para ser realizado, ou seja, é a fé comum a todos os seres humanos. É fruto de uma programação ou crença humana.

Fé Salvadora: é a fé plantada em nós pelo Espírito Santo e leva o ser humano a não resistir à graça salvadora (Ef 2.8,9). Assim, o salvador chama e o pecador não resiste a sua graça por intermédio da fé (Jo 14.16), comprovando que a fé vem pelo ouvir e pelo ouvir a pregação da palavra de Deus (Rm 10.17).

Fé como fruto do Espírito Santo: tipo de fé que faz a representação da fidelidade no crente. 

Fé como Fundamento: tipo de fé encarado como algo que dá substância aos cristãos, levando ao reconhecimento das coisas espirituais, servindo de base para um fundamento mais sólido.



Fé Extraordinária: é a fé como dom e é dada a alguns membros do corpo de Cristo, podendo ser a capacidade de acreditar em Deus de modo sobrenatural ou vivendo pela fé (Hb 11.1), dependendo de Deus nas situações mais difíceis, aprendendo a obedecer-lhe em todas as situações de nossas vidas, pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). No original grego, significa literalmente “Tendo fé estando em Deus”, sendo um recurso especial para o poder de Deus. É de suma importância que os obreiros, em especial os presbíteros, possuam esse recurso, pois podem colocar em prática a oração da fé (Tg 5.14-15), porque é uma capacidade especial concedida por Deus a alguns membros do corpo de Cristo, visando à execução de obras extraordinárias em tempo de desafios, capacitando-os a trabalhar para o reino confiando sempre na vontade de Deus. Enquanto alguns membros do reino contam apenas com a fé salvadora, além da fé natural, já o dom da fé habilita o cristão a aceitar como realidade as promessas feitas por Deus e assim agir com plena certeza de que Deus vai cumprir a sua palavra. Mesmo diante das adversidades o portador deste dom, não obstante, busca sempre vislumbrar o possível, mesmo diante de situações humanamente impossíveis, pois conta com uma convicção plena de que o poder de Deus irá se manifestar quando for invocado o nome do Senhor através de sinais e maravilhas que alteram as leis naturais, gerando assim uma confiança inabalável em Deus.
Na Bíblia, podemos encontrar vários personagens que viveram expressivamente este dom, como Josué, que orou a Deus e em seguida ordenou que o sol e a lua fossem detidos (Js 10.2); Elias, que orou e o fogo e a chuva caíram do céu (I Rs 18.33-35); e a galeria dos heróis da fé alistados no capítulo onze da epístola aos hebreus, homens que diante de Deus viveram uma vida de renúncia, porque sua confiança estava nas promessas contidas na palavra: “Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb 11.39-40). Diante desse cenário, passamos a compreender como alguns membros do corpo vivem pela fé e Deus os honra. O grande segredo, acima de tudo, é uma confiança inabalável nas promessas de Deus. Isso só é possível diante de um sólido fundamento na palavra, pois a verdadeira fé nos leva ao fundamento correto: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem”. (Hb 11.1).
O dom da fé pode ser exercido em nosso meio, mas, segundo a doutrina, como nos ensina o profeta Isaías: “A lei e o testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Is 8.20). Como função universal, todos os cristãos têm que ter uma fé abalizada, mas, como dom espiritual, alguns e nem todos possuem tal dom, que é dado do alto e capacita o cristão a passar por situações difíceis, e ver Deus em todas as situações, sempre tendo uma fé inabalável diante das situações adversas, possibilitando também a crença da operação de milagres, sinais, maravilhas e curas. “E a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5.15). O dom da fé é uma plataforma para a operação dos dons de poder. Para ser usado nessa determinada área, deve-se cultivar uma fé extraordinária, crendo que Deus pode realizar milagres, sinais e maravilhas. Independentemente de nossa fé, o querer e o efetuar pertencem ao Senhor. Nós, na verdade, somos apenas meros instrumentos.

Áreas de atuação

Evangelismo e visita a presídios
Trabalho com enfermos e visita a hospitais
Liderança e Departamento de Planejamento
Círculo de oração
Missão transcultural

Perigos deste dom

Nos últimos anos, com o advento da teologia da prosperidade, algumas Igrejas foram invadidas pela confissão positiva, a teologia da fé, aquela em que as palavras têm poder. Assim, os proponentes deste arremedo doutrinário declaram que a miséria e a doença não provêm de Deus e que o crente que fiar doente ou tomar remédios está sem fé ou com pecado não confessado. Diante desses argumentos, citamos os casos de Jó, que passou por grande provação para que pudesse crescer (Jo 42.5), os casos de enfermidades de Timóteo (I Tm 5.23), do rei Zedequias, como também as depressões passadas por Elias, Moisés e Jonas, observando que esses personagens passaram por uma crise psicossomática, um estresse seguido de depressão, isso sem falar no Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que passou por uma angústia ou uma tristeza profunda de sua alma (Mc 14.34), transmitindo-nos a ideia de que até mesmo o Senhor Jesus estava sujeito aos problemas do dia-a-dia, como ele mesmo afirmou: “No mundo, tereis aflições, mas tendes bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33), e quando se refere a nossa cruz: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Ensinar que o crente não deve tomar a sua cruz é gerar no povo uma fé ilusória, é viver um cristianismo sem cruz e uma cruz sem Cristo, ou seja, o evangelho que não salva, pois não trata. Esse modismo de que crente não pode enfrentar problemas e quando enfrenta lutas é porque precisa de cura interior, é negar completamente o sacrifício de Jesus, que levou sobre si as nossas imperfeições e nos tornou livres (Rm 8.1). Os defensores desses modismos deveriam refletir sobre o seguir a Cristo, pois a teologia da provação também faz parte da espiritualidade cristã, pois somos provados, para sermos aprovados.


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