segunda-feira, 27 de março de 2017

SÉRIE OS DONS ESPIRITUAIS - O DOM DE SINAIS E MARAVILHAS.

 Orlando Martins 

No original grego este dom é definido como “dynameis”, que significa poderes, estando sempre associado com coisas que causam espanto e admiração. Conhecido também como operação de milagres, o dom de sinais e maravilhas é a capacidade sobrenatural que o Espírito Santo concede a alguns membros do corpo de Cristo para realizarem coisas que saem do curso natural dos acontecimentos. O verbo grego para “milagre” no evangelho de João é o valor do sinal para encorajar as pessoas a crer e continuar crendo.
Este dom é amplamente observado na Bíblia. No Antigo Testamento encontramos facetas do dom nos ministérios de Moisés (Ex 14.21-31), Elias, quando lutou sozinho contra os profetas de Baal e do poste ídolo (I Rs 18.21-40) e Eliseu, ao separar as águas do Jordão (II Rs 2.14). Já no contexto neotestamentário encontramos facetas deste dom quando Pedro andou sobre as águas (Mt 14.28-31); no relato dos Setenta, quando regressaram de sua missão (Lc 10.17-20); na ressurreição de mortos, como nos casos do filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17), a filha de Jairo (Mt 9.18,19,24), e no caso de Lázaro (Jo 11.43-44); nos casos de Paulo em Troade (At 20.9-12) e na defesa de seu ministério em Éfeso: “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários” (At 19.11); perante o sinédrio: “Pois as credenciais de meu apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos” (II Co 12.12), autenticando o evangelho pregado por ele como o evangelho verdadeiramente de Cristo.



Este dom fez parte do ministério de Jesus na terra, como em seu primeiro milagre realizado em um casamento na cidade de Canaã da Galiléia, transformando água em vinho (Jo 2.1-12). Este milagre transpôs todos os princípios da natureza, constituindo-se no dom de sinais e maravilhas, ou quando acalmou a tempestade, causando espanto em seus discípulos. De acordo com o teólogo Russel Norman Champlim, em sua enciclopédia: “No período apostólico a manifestação deste dom poderia incluir a expulsão de espíritos malignos, e as curas”. Estes sinais eram claramente observados no ministério dos evangelistas no período da Igreja primitiva. Ocorriam constantemente naquele tempo, pois serviam de corroboração para o ministério do evangelista e do apóstolo. Deve ser usado de uma forma responsiva, visando sempre às necessidades cabais do reino de Deus. Por se tratar de um dom muito amplo, ele une o dom da fé (Tg 1.5-8) com os dons de curar (I Co 12.9). Dessa forma, seu detentor adquire autoridade sobre o pecado e as doenças, podendo assim ser usado poderosamente por Deus em feitos que quebrem por completo as leis da natureza, causando espanto e admiração na Igreja.
Em seu livro, Novo Milênio e o Mover do Espírito Através da Manifestação dos Dons, o pastor e teólogo catarinense Samuel Ribeiro enumera algumas orientações demonstrando como o dom de discernimento deve ser usado do ponto de vista teológico, e com a menor margem de erro possível: “1 – Adquira uma cuidadosa bagagem bíblica para saber enxergar, avaliar e julgar todas as coisas; 2 – Repudie energicamente qualquer interpretação particular e tendenciosa das Escrituras; 3 – Tenha uma vida de oração perseverante e contrita, o que o leve a ter verdadeira comunhão com Deus; 4 – Não seja simplório, aberto a qualquer vento de doutrina, sem reflexão, sem cuidado, sem um pingo de malícia; 5 – Não seja precipitado, entregando-se de imediato à ideia e ao desejo que lhe ocorrem; 6 – Valorize a opinião alheia, se ela partir de uma pessoa muito comprometida com Deus, sábia e equilibrada”.
De acordo com o pastor Estevam Ângelo de Souza, em seu livro Os nove dons do Espírito Santo, da CPAD: “A operação de milagres é um dom tão estupendo que se torna inconcebível à mente finta do homem. Entretanto, esse dom faz parte do ministério sobrenatural do Espírito Santo através da vida de crentes cheios do Espírito, e é operado com grande finalidade com vistas à glória devida a Deus”.

Áreas de Atuação

Batalha espiritual
Ministério de oração
Dom de evangelista e apóstolo
Missão transcultural

Perigos deste Dom

Deve ser usado por pessoas que tenham maturidade espiritual muito elevada. Se usado por neófiItos, pode vir acompanhado de elementos psicológicos, o que em partes transforma o culto num show de horrores, não numa reunião para adoração do nome do Senhor (I Co 14.40). Se for conduzido errado, o portador do dom usa-o como bem entender e não da maneira como o Senhor da obra deseja. Por outro lado, o perigo é a sua rejeição total, devido ao fato de alguns que tentam apagar por completo a ação sobrenatural da Igreja.
Segundo orientação de Paulo, não devemos apagar o Espírito (I Ts 5.19), mas fazer uma análise teológica em todas as coisas (I Ts 5.20-21), seguindo os crentes de Beréia, que não aceitavam qualquer ensinamento exposto, mas analisavam tudo (At 17.11), e por isso foram considerados nobres em suas ações. Cada vez mais contemplamos Igrejas que, ao rejeitarem os dons de poder, perdem a sua força. Isso porque, como agência de boas-novas, a casa de Deus deve possuir todos os dons espirituais, para que possam ser usados conforme a necessidade do grupo (I Co 12.7) e assim cada cristão possa exercer a diaconia ou serviço cristão.


Um comentário:

  1. Muito bom seu estudo que Deus lhe abençoe. Que você continue a levar a palavra de Deus as outras pessoas.

    Ass; http://ateologiadescomplicada.com/curso-bacharel-em-teologia-da-universidade-da-biblia-e-bom/

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